A AIMMP Associação das Indústrias de Madeira e Mobiliário de Portugal, contesta suspensões recorrentes das atividades de exploração florestal em zonas afetadas por incêndios.

O Ministério da Administração Interna tem, repetidamente, em períodos de agravamento do risco de incêndio florestal, emitido despachos que obrigam o Instituto de Conservação da Natureza e Florestal a notificar operadores para a proibição da utilização de equipamentos, incluindo os utilizados no abate, corte e transformação de árvores nos espaços florestais, sem qualquer ressalva nem exceções territoriais, impedindo o progresso dos trabalhos de exploração florestal, em particular, nas áreas públicas afetadas pelos fogos de 2017, agudizando a perspetiva de zero aproveitamento do material lenhoso existente que, passados 2 anos, ainda não foi retirado do terreno.

Numa altura já tardia para a retirada do terreno de material lenhoso ardido, a imposição de uma limitação às atividades de exploração, corte e rechega em Perímetros Florestais e/ou Matas Nacionais afetadas pelos graves fogos florestais de 2017 (há já 23 meses!!) surge-nos como totalmente inadequada e desproporcional perante a urgência da atuação das empresas de exploração florestal, no sentido de alcançar o maior aproveitamento possível dos recursos existentes, considerando, infelizmente, o estado de degradação avançadíssimo da madeira, verificado atualmente. Este facto, conjuntamente à incapacidade demonstrada pela gestão pública, de efetivar a venda de uma grande parte das parcelas públicas afetadas reduzirá, senão mesmo, anulará, a geração de produtos de valor acrescentado com base na madeira proveniente das referidas zonas.

Para além disso, os constrangimentos criados às empresas de exploração florestal, gerados pela paragem de máquinas e pessoas, com efeitos graves de carácter financeiro e operacional, que podem até, levar à suspensão da atividade industrial a jusante, pela falta de matéria prima, apresentam um efeito de escala agudo, com enormes prejuízos para o setor florestal já gravemente afetado por externalidades várias ao longo dos últimos anos.

É ainda de salientar que, já no passado ano de 2018, a aimmp expressou o seu descontentamento e desacordo para com a imposição, por parte do executivo, da suspensão dos trabalhos de exploração florestal em áreas ardidas, suportando-se nos seguintes considerandos:

1)  Que as operações de corte e abate de árvores não constituem risco de ignição em áreas ardidas pela inexistência de matéria combustível;

2)  Que no limite das possibilidades, se alguma ignição acontecer neste contexto é, obviamente, imediatamente combatida e, como tal, não geradora de grandes incêndios;

3)  Que as áreas ardidas nos últimos 24 meses não devem estar abrangidas pela interdição, visto não se verificar risco de evolução de incêndio pela inexistência de matéria combustível.

Numa altura em que a sustentabilidade está na ordem do dia, sendo tema principal de todos os debates da campanha eleitoral, é importante ir das palavras aos atos, agilizando e potenciando o aproveitamento dos recursos existentes de forma racional e eficiente, congregando os três pilares de atuação: Ambiental, Económico e Social.

Nenhum destes pontos está a ser devidamente assegurado pela forma como a gestão pública e o governo têm abordado a gestão das áreas florestais afetadas pelos incêndios, cabendo à aimmp, como associação de fileira, representativa de todas as indústrias de base florestal, excetuando a cortiça, pasta e papel, solicitar ao executivo, o levantamento de suspensões similares para áreas florestais afetadas, arrematadas em Hasta Pública, assim como áreas florestais privadas de carácter similar.