A AIMMP associa-se à EFIC – Confederação Europeia das Indústrias de e Mobiliário, nas preocupações  europeias com a economia circular e a adoção de melhores práticas para o ambiente

A 9 e 10 de dezembro, esteve reunido em Bruxelas, o Grupo de Trabalho da Economia Circular da direção da EFIC e analisou questões da maior importância nesta área.

Impulsionar a economia circular requer um esforço conjunto 

A transição da economia Europeia para um modelo de economia circular, requer práticas integradas nas diversas etapas da cadeia de valor dos produtos, assim como o envolvimento de todos os stakeholders no processo. A responsável pelas Tecnologias e Produtos Limpos da Comissão Europeia, Fulvia Raffaelli, reforçou a importância deste ponto: “Se queremos que a transição aconteça e tenha sucesso, isto é crucial. Ou fazemos juntos ou não vai acontecer”,

“Precisamos que os decisores políticos, a indústria, os cidadãos e os consumidores desempenhem o seu papel se quisermos alcançar este objetivo”, acrescentou Annika Hedberg, chefe do programa Prosperidade Sustentável para a Europa e analista sénior de políticas do European Policy Center (EPC).

A economia circular não será apenas a chave para o alcance dos objetivos climáticos, mas também da independência económica e do impulso na investigação e inovação, argumentou Raffaelli.

Para as empresas que decidam avançar para um modelo de economia circular, o financiamento não será uma barreira, referiu o CEO da Fundação para a Economia Verde e membro do Comité Europeu para os Assuntos Económicos e Sociais, Cillian Lohan.

A indústria corrobora desta opinião. Ulrich Reifenhäuser, diretor administrativo da Reifenhäuser GmbH & Co. KG Maschinenfabrik referiu que “[conseguir] financiamento não é assim tão difícil”.

“Temos que criar novos produtos, havendo já, [no mercado], uma necessidade e procura destes”, acrescentou.

A Comissão encoraja a indústria a identificar oportunidades potenciais de mercado para que o executivo da UE possa apoiá-las, disse Fluvia Raffaelli.

“Atualmente, estimamos que 12% da nossa economia pode ser rotulada como uma economia circular”, explicou, acrescentado que “há muito potencial e é isso que precisamos de impulsionar”.

É necessário melhorar o design

 As barreiras à economia circular geralmente são o resultado de um design inadequado do produto, o que dificulta a reutilização ou reciclagem.

“Todos os produtos no mercado europeu devem ser sustentáveis por design. Este deve ser o objetivo final”, disse Hedberg.

A longevidade do produto, a sua reutilização, e partilha podem ajudar a reduzir as necessidades de materiais necessários para a sua produção ou, até, levar à desmaterialização, argumentou Hedberg. “Este é o tipo de solução que devemos procurar”, acrescentou.

“A fase de projeto exigirá, sem dúvida, maior atenção do que a dada no plano de ação anterior”, disse Raffaelli, referindo-se ao Plano de Ação da Comissão para a Economia Circular.

“Se realmente vemos o Ecodesign como o instrumento para o design, precisamos de mais investimento e capacitação para esse efeito”, acrescentou Hedberg.

Conhecer os materiais utilizados na produção, os diferentes componentes e se estes já foram realmente reutilizados é fundamental.

“A digitalização pode ajudar a enfrentar os desafios da transferência de informação, que é uma das maiores barreiras para alcance de uma economia circular”, acrescentou Hedberg.

“Fornecer informações sobre as características do produto é essencial, é a base”, disse Raffaelli. Da parte da Comissão. “Precisamos de ser mais transparentes e forçar as empresas a exibir o impacto ambiental do seu próprio produto”.

O papel dos consumidores

A “onda verde” que vimos nos últimos anos mostra uma mudança na sociedade. As pessoas estão cada vez mais conscientes do seu próprio impacto ambiental e, portanto, são mais exigentes para com a indústria no sentido de atender às suas necessidades e desejos.

“Há uma exigência da parte dos consumidores. As pessoas querem produtos mais sustentáveis ​​”, argumentou Hedberg.

Precisamos informar os consumidores para que possam distinguir o que é mais sustentável, mas também precisamos do preço adequado, disse Fulvia Raffaelli. “Deveríamos estar, já, a caminhar numa direção em que as escolhas sustentáveis ​​são a norma e não a exceção”, enfatizou.

“O tipo de mercado que realmente queremos na Europa é um mercado no qual basicamente todos os produtos que estão numa prateleira, são sustentáveis, para que os consumidores não precisem de pensar”, acrescentou Hedberg.

A transição para uma economia sustentável não será fácil quer para a indústria quer para os consumidores. “Em todas as transições, sempre haverá vencedores e perdedores”, acrescentou. No entanto, esta pode ser uma enorme oportunidade para a indústria europeia “fornecer soluções que serão necessárias no mundo de amanhã, não apenas na UE, mas fora dela”.

“Este é o momento”, sublinhou Fulvia Raffaelli.