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Pellets e Biomassa: melhor energia, mais limpa e económica

//Pellets e Biomassa: melhor energia, mais limpa e económica

Pellets e Biomassa: melhor energia, mais limpa e económica

O aproveitamento das matérias-primas de base florestal para produção de pellets e a utilização de biomassa florestal para produção energética, temas da maior importância na atualidade, estiveram em destaque no encontro de uma delegação da AIMMP chefiada pelo seu presidente, Dr Vítor Poças com o Secretário de Estado da Energia, Drº João Galamba.

A delegação da AIMMP, integrou também: o Sr. Paulo Verdasca, Dr. Artur Côto, Dr. Coelho Guedes, Sr. António Fernandes, Engº Francisco Dias e o Eng. João Ferreira.

Nesta primeira reunião com o Secretário de Estado foi apresentada a nossa Associação. Apontados bons exemplos como o da Palser: a  empresa tem um posicionamento inclusivo no aproveitamento das matérias-primas de base florestal congregando a serração de madeira, produção de embalagens de madeira e paletes, produção de pellets de madeira, assim como utilização de biomassa florestal numa central de co-geração para produção de energia elétrica para venda à rede e aproveitamento do calor residual para os processos industriais.

O Sr. Secretário de Estado interpelou o Dr. Vítor Poças quanto ao posicionamento concorrencial, no que toca ao abastecimento de matéria-prima, da indústria de pellets e painéis de madeira.

O Dr. Vítor Poças referiu a posição da AIMMP na condenação da utilização de madeira com qualidade para serração na indústria de pellets, considerando que essa é uma prática já ultrapassada, realçando o exemplo da empresa Briquetes Raro, associada e membro dos órgãos sociais da AIMMP, a qual pugna pela utilização exclusiva de subprodutos da primeira transformação na produção de pellets e briquetes de madeira.

O Secretária de Estado referiu ainda, que é intenção do governo privilegiar a instalação de centrais térmicas a biomassa, geridas por municípios ou empresas municipais, com vista a suprir as necessidades de calor dos locais em questão, providenciando a utilização de biomassa residual florestal e agrícola de forma deslocalizada. Esta decisão foi saudada pelos presentes.

No que aos pellets, em particular, diz respeito, o Dr. Vítor Poças deu conta do perfil exportador da indústria nacional muito condicionada pela parca valorização do produto em território nacional.

A Chefe de Gabinete do Sr. Secretário de Estado apresentou, como grande entrave à adoção sistemática de equipamentos a pellets ao abrigo de programas como o PO SEUR, a falta de informação dos intervenientes sobre as tecnologias e alternativas existentes, chamando a atenção para o papel importantíssimo da AIMMP, na promoção ao nível local, de tecnologias e até instrumentos de financiamento privados para o efeito.

O Sr. Secretário de Estado comprometeu-se a contactar o PO SEUR no sentido de identificar o andamento dos processos de avaliação e aprovação de projetos com vista ao aumento da eficiência energética e diminuição dos custos energéticos e verificar o número de iniciativas que consideram a utilizam de pellets.

O secretário técnico desta área da AIMMP, João Ferreira sublinhou a importância da participação do estado no que toca à politica energética:

  • 50% do consumo energético da União Europeia tem por fim o aquecimento e arrefecimento ambiente e de águas sanitárias e tememos que quando se fala em energias renováveis, apenas é focada a produção de energia elétrica através de fontes renováveis com realce para a eólica e a fotovoltaica. Precisamos, por isso, de ter especial cuidado com a tendência de eletrificação da economia que, em muitas casos, traz consigo diversas ineficiências quando comparada, por exemplo, com a produção direta de calor através de pellets de madeira.
  • O Sr. Secretário de Estado foi alertado para o facto de, em diversas ocasiões, o investimento inicial de aquisição de um equipamento a pellets desmotivar as entidades públicas ou de utilidade pública, por falta de capital financeiro e pelo difícil acesso a financiamento. Foi proposta, como forma de ultrapassar este constrangimento, a criação de uma linha de crédito bancário com condições atrativas, direcionado às entidades públicas, para que estas possam suportar o investimento inicial superior, facilitando o pagamento faseado com recurso às poupanças geradas na fatura energética.

Em resumo:

Portugal produz cerca de 800 000 toneladas de pellets das quais consome apenas 250 000 toneladas. Existe, assim um diferencial de 550 000 toneladas que são exportadas para o centro da Europa com custos de transporte e acondicionamento do produto para transporte marítimo, assim como custos do frete associados, que rondam os 40€ por tonelada. Os produtores nacionais apenas exportam porque o produto não é devidamente valorizado em Portugal. A absorção do excedente de 550 000 toneladas anuais pelo mercado nacional, promovida pela ação direta ou indireta das administrações central e local, traria benefícios ambientais pela substituição de importações de combustíveis fósseis, económicos pelo aumento de competitividade das empresas derivado da redução das faturas energéticas e, sociais, pelo aumento do orçamento público disponível que neste momento é absorvido pela compra de combustíveis fósseis, extremamente onerosos.

O Sr. Secretário de Estado reiterou a importância da prestação de informações e dados concretos relacionados com a indústria de pellets em particular, mas também com o funcionamento do setor energético na sua globalidade, por parte da AIMMP.

2019-02-13T12:38:04+00:00